sábado, 3 de novembro de 2012

ABSOLVIÇÃO


Sou investida de poder desde o alto
para livrar-me da injusta tarefa de julgar.

Prefiro trocar afagos de alma
e trilhar os caminhos do agora
coados de frustrações,
de exigências impiedosas.

Não há nada para perdoar!
Somos almas perdidas
Nadando em círculos contra a correnteza

Náufragos que se agarram aos seus velhos medos.
Sobreviventes das lentes de aumento
do preconceito desalmado.

Minha compulsão é a mitomania
Sou viciada em mitificar, me iludir.
Sou uma coleção de idiossincrasias.

Miríade de sonhos,
Poeira cósmica de emoções.
Releitura de poemas adormecidos
nas manhãs ensolaradas.

Não me explico, nem me justifico.
Apenas peço que me aceite como sou!
Não me fatie!

Me engula inteira sem mastigar.
Seus dentes dilaceram meu frágil ser.

Este seu feroz desejo de classificar,
Triturar meus nervos,
Submeter-me à leis inexoráveis.

Sou um ser em mutação!
Processos e perdas.

Liberto-me dos casulos
Desapego-me das carapaças.
Não busco refúgios.
Exponho-me à visitação.


Nathalia Leão Garcia
Rio, 03 de novembro de 2012



CONFISSÕES DE UMA REJUVENESCENTE

Na eminência dos 50 anos revigorada Ainda tento colher minhas memórias reticentes A desorganização do meu ser em desalinho esparramad...