sexta-feira, 21 de março de 2014

O INDIZÍVEL

Decantei em verso e prosa.
Que me ouçam em alto e bom som!
Desenhei com tintas frescas e vivas
Pra verem ao vivo minhas dores

Não tenho verdades fúteis,
tenho sentimentos e sonhos em cores
que transbordam deste coração profundo.
A vida real pode ser dura e rugosa
Prefiro manter memórias ativas

Posso escolher a cor do fundo
Pinto a leveza do pincel nas telas.
Sigo sinais de uma alternativa fantasiosa.
O egoísmo sempre me causa estranheza

É tão breve a nossa existência
Não vale a pena contar tristeza.
Talvez eu seja de outro mundo.
Venho de um planeta feito de gentileza.

O amor é a minha religião
Quero ocupar o meu tempo con-vivência.
Desejo tocar as pessoas com meus sorrisos.

Meus versos líquidos são oferecidos
escorrem das minhas mãos esticadas
Não pretendo fingir gestos contidos.

Verto meu néctar por necessidade.
Ressinto-me da crítica impiedosa
Acho que a vida merece mais leveza.

Sou um ser destinado à experiência amorosa
Meus olhos são irrigados por lágrimas de mel.
Não desejo a prisão de protocolos inúteis.
Não me sujeito às doutrinas da brutalidade

Sou desgarrada das regras de conveniência.
E das pessoas que perseguem os erros a granel.
Conjugo verbos no infinitivo plural.

Afasto inquisidores e suas tramas ilusórias
Mantenho distância da sua idiossincrasia cruel.
Não nutro sentimentos de culpa e dramas.
Não me alimento de dívidas só de dádivas.

O querer não requer retribuição compulsória.
O silêncio basta para indicar o sinal.
Cuidado em demasia não é bem vindo, paciência!

Não há mapas que indiquem rumos certos.
Um lugar provisório humildemente peço.
Visto de graça a minha alma imoral.
E com um suspiro pungente me despeço.


Nathalia Leão Garcia


Rio, 21 de março de 2014



segunda-feira, 17 de março de 2014

QUASE MIRAGEM



O dardo envenenado de intolerância entrou pela jugular,
mas produziu a endorfina da aceitação das imperfeições.
O artefato mortífero se esconde nas belas plumas ferinas e ferozes.
Miríades de sonhos se esfacelam em gotas de cristais.

Repito frases como mantras que ecoam
e se desdobram em muitas vozes
Muitas milhas daqui, existe uma fonte cristalina
que exala o perfume das paixões.

Contemplo meus buracos negros
e eles me devolvem a visão de outros mundos.

Em meu coração há muitas canções guardadas.
Preciso cantá-las mesmo que ninguém as ouça enfim.
Acordes delirantes de harpas invadem com seus sons profundos.
Inundam os dias com as lágrimas das faces deslavadas.

Borboletas azuis refletidas no espectro do caleidoscópio lunar.
Lucidez e escuridão transformam loucura e iluminação.
A razão não deixa ver, a emoção tempera o sentir.

Não há explicações baratas que tomem conta dos meus ais.
Eles estão camuflados em várias camadas de nuvens de algodão.
Meu coração oferta o que tem, meu destino é sorrir.

Meu caminho é feito de matéria sutil que se confunde no vento.
Viajo através dos sonhos para não me perder de mim.


 Nathalia Leão Garcia

Rio, 17 de Março de 2014.


                                          Gustav Klimt - Sonho

domingo, 9 de março de 2014

CIRANDA POÉTICA : DOAÇÃO - JOSETTE GARCIA

Doação

Dou-te uma palavra - espero seja branda –
Apesar da força nela contida
Rodopie e entonteça em ciranda
E assim suavize alguma dor vivida.

Dou-te uma palavra – tomara seja santa –
Num morno sussurrar aos teus ouvidos.
Possa arrepiar todos os teus sentidos
Enquanto tuas lágrimas ela decanta.

Dou-te uma palavra – e torço seja plena –
Qual sintetize os sentimentos incontidos
Em só um toque de carícia amena,
Valha por todos os versos jamais lidos.

Dou-te, portanto, uma palavra leve
Que solta siga neste voo breve
Até teus braços, sem qualquer temor.
Dou-te, por fim, esta palavra: Amor


Josette Garcia -09-03-2014


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" Josette querida suas palavras são um bálsamo para os corações feridos e almas aladas 

cansadas dos vôos camicazes. " - Nathalia 


Desafio brasileiro da Poesia... 

O objetivo é desafiar 05 amigos. Cada um terá um prazo de 24H para postar uma poesia em sua própria linha do tempo no Facebook, caso contrário deverá presentear quem o desafiou com um livro de poesias.
Cada indicado deve indicar mais 5 amigos para cumprir o desafio!


Beijos!

Boa inspiração!

Nathalia Leão Garcia 


                                                                                     Sandro Botticelli 

terça-feira, 4 de março de 2014

BLOCO CIRANDA POÉTICA DUETOS

Inauguramos o Bloco de Ciranda Poética com o dueto Grito de Carnaval com minha amiga e poeta Josette Garcia e eu rasgando o verbo com poesia e ousadia. 




Preciso de um verbo.
Mas tem que ser preciso,
que se reverbere,
faça-se conciso,
emane-se precioso.
Um verbo definitivo.
Definitivamente 
indireto ou infinitivo,
um verbo qualquer,
com regra ou não...
Pra devorar, mastigar, triturar.
Digo, literalmente 
preciso rasgar um verbo.
Pode ser reza, 
pode ser palavrão, 
fazer trova, verso.
Quero virá-lo ao avesso,
usá-lo veementemente
sem qualquer moderação.

Josette Garcia
http://josettegarcia.blogspot.com.br/2013/06/preciso-de-um-verbo.html

EVOCAÇÃO

Evoco e vocalizo um verbo passivo.
Um verbo divino, escandalizado e abolido.
Verbo dessacralizado, desmesurado e explosivo.

Preciso desse verbo que faça estremecer o chão,
que desmoralize as certezas, 
e abale as estruturas da razão.

Meu verbo preferido grita até calado.
Não cabe nos guetos nem nas mansões.
Provoca terremotos e destruição,
arranca das garras do apego,
liberta da acomodação.

Esse verbo indefinível não acusa,
é bandido, burla leis,
foge e não vai preso.
Subverte o poder dos reis.

Verbo que desdobra as dobras do tempo
Não cobra, negocia os vacilos.
Meu verbo excomungado frequenta os submundos
É mal falado e convive com os vagabundos.

Camufla-se no meio da procissão.
Comunga e pede redenção.
Desperta piedade e inspira lamento.

É volátil, volúvel, desfrutável e inútil.
Meu verbo direto exorta os demônios
e absolve os pecados do mundo.

Nathalia Leão Garcia


                                                                      Joan Miró

segunda-feira, 3 de março de 2014

EVOCAÇÃO



Evoco e vocalizo um verbo passivo.
Um verbo divino, escandalizado e abolido.
Verbo dessacralizado, desmesurado e explosivo.

Preciso desse verbo que faça estremecer o chão,
que desmoralize as certezas,  
e abale as estruturas da razão.

Meu verbo preferido grita até calado.
Não cabe nos guetos nem nas mansões.
Provoca terremotos e destruição,
arranca das garras do apego,
liberta da acomodação.

Esse verbo indefinível não acusa,
é bandido, burla leis,
foge e não vai preso.
Subverte o poder dos reis.

Verbo que desdobra as dobras do tempo
Não cobra, negocia os vacilos.
Meu verbo excomungado frequenta os submundos
É mal falado e convive com os vagabundos.

Camufla-se no meio da procissão.
Comunga e pede redenção.
Desperta piedade e inspira lamento.

É volátil, volúvel, desfrutável e inútil.
Meu verbo direto exorta os demônios
e absolve os pecados do mundo.

Nathalia Leão Garcia

Rio de Janeiro, 03 de março de 2014

                                                                                  Claude Monet, "Impressão do Sol Nascente".

CONFISSÕES DE UMA REJUVENESCENTE

Na eminência dos 50 anos revigorada Ainda tento colher minhas memórias reticentes A desorganização do meu ser em desalinho esparramad...