segunda-feira, 3 de março de 2014

EVOCAÇÃO



Evoco e vocalizo um verbo passivo.
Um verbo divino, escandalizado e abolido.
Verbo dessacralizado, desmesurado e explosivo.

Preciso desse verbo que faça estremecer o chão,
que desmoralize as certezas,  
e abale as estruturas da razão.

Meu verbo preferido grita até calado.
Não cabe nos guetos nem nas mansões.
Provoca terremotos e destruição,
arranca das garras do apego,
liberta da acomodação.

Esse verbo indefinível não acusa,
é bandido, burla leis,
foge e não vai preso.
Subverte o poder dos reis.

Verbo que desdobra as dobras do tempo
Não cobra, negocia os vacilos.
Meu verbo excomungado frequenta os submundos
É mal falado e convive com os vagabundos.

Camufla-se no meio da procissão.
Comunga e pede redenção.
Desperta piedade e inspira lamento.

É volátil, volúvel, desfrutável e inútil.
Meu verbo direto exorta os demônios
e absolve os pecados do mundo.

Nathalia Leão Garcia

Rio de Janeiro, 03 de março de 2014

                                                                                  Claude Monet, "Impressão do Sol Nascente".

CONFISSÕES DE UMA REJUVENESCENTE

Na eminência dos 50 anos revigorada Ainda tento colher minhas memórias reticentes A desorganização do meu ser em desalinho esparramad...