segunda-feira, 17 de março de 2014

QUASE MIRAGEM



O dardo envenenado de intolerância entrou pela jugular,
mas produziu a endorfina da aceitação das imperfeições.
O artefato mortífero se esconde nas belas plumas ferinas e ferozes.
Miríades de sonhos se esfacelam em gotas de cristais.

Repito frases como mantras que ecoam
e se desdobram em muitas vozes
Muitas milhas daqui, existe uma fonte cristalina
que exala o perfume das paixões.

Contemplo meus buracos negros
e eles me devolvem a visão de outros mundos.

Em meu coração há muitas canções guardadas.
Preciso cantá-las mesmo que ninguém as ouça enfim.
Acordes delirantes de harpas invadem com seus sons profundos.
Inundam os dias com as lágrimas das faces deslavadas.

Borboletas azuis refletidas no espectro do caleidoscópio lunar.
Lucidez e escuridão transformam loucura e iluminação.
A razão não deixa ver, a emoção tempera o sentir.

Não há explicações baratas que tomem conta dos meus ais.
Eles estão camuflados em várias camadas de nuvens de algodão.
Meu coração oferta o que tem, meu destino é sorrir.

Meu caminho é feito de matéria sutil que se confunde no vento.
Viajo através dos sonhos para não me perder de mim.


 Nathalia Leão Garcia

Rio, 17 de Março de 2014.


                                          Gustav Klimt - Sonho

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Na eminência dos 50 anos revigorada Ainda tento colher minhas memórias reticentes A desorganização do meu ser em desalinho esparramad...