domingo, 25 de novembro de 2018

Os desafios em docência: os fundamentos da educação e práxis


Por Nathalia Arêa Leão Garcia de Souza
Com as mudanças vertiginosas que estão em processo nos últimos anos, a perplexidade dos dias de hoje impõe a discussão sobre o sentido de ser professor somado à inquietação da sociedade acadêmica sobre qual é o papel da escola e muitas controvérsias em torno do que é ensinar e aprender. Há uma vertente que ataca o chamado modelo tradicional de educação, apontando-o como causador da exclusão social e da impotência dos indivíduos frente à tarefa de transformar nossa sociedade em um modelo mais justo e sustentável. Na verdade, a escola reflete o que a sociedade vive: violência, questionamentos profundos sobre autoridade e falta de liderança. Como futuros docentes a reflexão sobre esses problemas nos desafia a resgatarmos nossos próprios valores e sonhos, questões levantadas pelo professor Moacir Gadotti no seu livro “A Boniteza de um Sonho”: “O que estou fazendo aqui?”, “por que não procuro outro trabalho?”, “para que sofrer tanto?”, “por quê, para ser professor?”. Acrescento as minhas indagações: Que sociedade eu quero? O que me motiva? Quais os princípios que norteiam o nosso trabalho como professores?
A escola lida com tradições e mudá-las traz no bojo conflitos e medo do desconhecido. O pensamento que norteia o ensino tradicional é o raciocínio lógico e linear. Com a transformação da sociedade em rede, globalizada e conectada o tempo todo, não é mais linear e sim simultânea e sobreposta como diz a filósofa Viviane Mosé. A sociedade e o pensamento se baseiam em acordos e a verdade é um campo de forças. Verdade e Ciência substituem a fé e a Religião. Este é o abismo civilizatório que vivemos. Através da virtualidade nos tornamos humanos assumindo princípios, leis, tabus e direitos pela consciência. Assim as práticas educacionais estão relacionadas aos períodos da história da humanidade e o que é valorizado a cada momento.
Com a civilização grega essa gestão se expressou no conjunto de leis criadas para defender os interesses dos cidadãos. O surgimento das pólis ou cidades/Estado foi um marco que trouxe para a convivência os limites da atuação dos indivíduos que se organizavam socialmente para criar as leis. A educação diz respeito à pólis e seus códigos. Em “A República” o filósofo grego Platão (428-347 a.C.) fala sobre a sua preocupação com a relação entre educação e sociedade em sua época e preconiza que o Estado deveria ser responsável por educar os jovens baseado na filosofia em tese. Sendo assim, a prática pedagógica estaria ligada aos valores e leis estavam centralizadas no poder central do Imperador.
Surgiram ao longo do tempo diversas doutrinas pedagógicas, cada uma relacionada com o contexto e as condições históricas em que foram produzidas, na tentativa de formar o “homem” e a sociedade de acordo com determinadas premissas que privilegiavam determinados grupos em detrimento de outros. Na Antiguidade romana, na Idade Média, no Renascimento, na Idade Moderna e Contemporânea surgiram, por exemplo, diferentes formas de conceber a cultura e o lugar ocupado pelos distintos grupos de indivíduos nas sociedades, gerando a criação de novas perspectivas de ensino na prática e teorias educacionais que baseadas em correntes pedagógicas que divergiam no equilíbrio da relação aluno-professor.
A corrente pedagógica Iluminista trouxe contribuições inéditas como a relação entre educação e política, defesa da escolarização feminina, centralização do tema da infância, educação pública e laica além de reivindicar a participação dos indivíduos como cidadãos na sociedade democrática da recém criada classe burguesa. Nasceu do pensamento revolucionário contra o regime absolutista, o poder da nobreza e a doutrinação do clero. Tinha como principal expoente o filósofo Jean-Jacques Rousseau. As limitações da Pedagogia Iluminista provinham da fragilidade das teorias sobre liberdade individual que na prática eram restritas a poucas pessoas, a educação universal de fato era diversa segundo a classe social, assim havia a aceitação da desigualdade como natural entre os homens pela imposição dos interesses burgueses da Revolução Francesa.
Já no pensamento pedagógico de orientação Positivista, Evolucionista e Funcionalista há a primazia do cientificismo impulsionado pelos avanços tecnológicos da Revolução Industrial. Reconheciam a Ciência como organizadora das relações sociais e com as descobertas de Darwin acreditavam que a educação era o caminho para o alcance da perfeição, onde a sociedade evoluía linearmente para a racionalidade e o perfeccionismo. A perspectiva era conservadora e não permitia o entrelaçamento dos grupos sociais considerando como patologia a rebelião dos indivíduos contra as condições desfavoráveis que deveriam ser “tratados” para a volta à normalidade do “grupo social”. Suas restrições no campo pedagógico se materializam na concepção elitista e segregadora da sociedade, criticavam a democratização das escolas, os currículos escolares e dividia os estudantes entre “aptos” e “não aptos” além de defenderem a criação de escolas especiais para as “escórias sociais” integrada pelos deficientes físicos e mentais, pois acreditavam na supremacia racial como os nazistas e fascistas.
O pensamento pedagógico Socialista é herdeiro da tradição Iluminista e surge das revoltas proletárias após as Revoluções Industrial e Russa trazendo o desejo de uma real democratização do ensino a partir da crítica à concepção burguesa elitista e ao liberalismo econômico. O objetivo principal era promover a distribuição equilibrada de bens e serviços que deveriam ser acessíveis para toda a população. Há uma divisão da corrente filosófica e pedagógica em duas etapas o Socialismo Utópico e Socialismo Científico que diferiam na forma de concepção: para a nuance Utópica poderia se chegar à justiça social mesmo dentro do Capitalismo através de medidas de radicalização da democracia e controle popular do Estado; para o Socialismo Científico a justiça social só é alcançada através do Comunismo com a inexistência da divisão de classes. O Socialismo pedagógico alcançou vários ganhos na orientação pedagógica para a classe trabalhadora a partir do Manifesto Comunista de Marx e Engels (criadores do materialismo dialético) como a erradicação do trabalho infantil, o papel do Estado que deveria custear o ensino da população, a educação politécnica articulada com o trabalho burguês e o combate ao autoritarismo dos professores burgueses que culminaram com a ascensão de Lenin e suas Teses de Abril na União Soviética. Mas as críticas dentro da própria teoria socialista surgem, como exemplo temos a proposta de Gramsci que defendia uma escola crítica, criativa e que adotasse o modelo clássico e profissional ao mesmo tempo. Gramsci contempla a deterioração e decadência dos processos da Revolução Russa a partir do fracasso pragmático da realidade dos trabalhadores, propondo que a formação de intelectuais orgânicos a fim de não reproduzir as relações elitistas do Partido Comunista com a sua burocracia estatal que é apontada como principal causa do fracasso dos regimes socialistas.
O pensamento Socialista continua a influenciar a pedagogia até os nossos dias e sua principal contribuição é considerar a atividade educativa como ferramenta estratégica para a transformação social. Uma importante visão provém do educador marxista Vygotsky que concebia a escola como um ambiente social onde o professor tem função de mediador entre o sujeito e o conhecimento. Para o bielorrusso Vygotsky o desenvolvimento do ser depende de interações em dois níveis, o real que se refere a tudo que a criança consegue realizar de forma independente e o potencial que abarca tudo que a criança não consegue realizar de forma independente e que precisa de auxílio. Também inspirado pelos ideais marxistas, surge o educador brasileiro Paulo Freire que preconiza que a aprendizagem só ocorre através do diálogo e autorreflexão a partir de questões problematizadoras. Para Freire tanto o professor como o aluno aprendem através de um método centrado na necessidade de consciência social e na importância do "outro". “ E esse processo se dá pela compreensão do ofício de professor como profissional que ajuda a construir, por meio da mediação e do diálogo, sentidos e significados para a vida. Como Paulo Freire dizia, a educação tem o papel de “encharcar” de sentido as experiências vividas, experimentadas e desejadas, de mediar a construção de sentidos entre as biografias dos sujeitos e a história, sem nunca perder de vista a relação recíproca entre ambas. É, sem dúvida, um profissional da “esperança”, como aponta Gadotti, sem ser ingênuo ou conformista”. O papel do professor para Freire é desenvolver a criatividade e a capacidade crítica dos alunos e assim contribuir no desenvolvimento da cidadania.
A Escola Nova surge como impulso ao desenvolvimento de práticas didático-pedagógicas ativas. Destacam-se como representantes o norte-americano John Dewey, que pregou a democracia dentro da escola em seu livro Democracia e Educação. A questão da igualdade e da liberdade eram consideradas fundamentais para a educação concebida por Dewey. O movimento escolanovista representou também uma adequação educacional ao crescimento urbano e industrial. Um de seus pilares foi a identificação dos métodos pedagógicos com a ciência. Inseriram-se na crença em uma "pedagogia científica" tanto Maria Montessori (médica e educadora italiana) como o belga Ovide Decroly. Montessori buscou os princípios de uma autoeducação motivada por materiais pedagógicos. Além de Dewey, Maria Montessori e Ovide Decroly destacam-se os seguintes nomes: Adolphe Ferriere, William Heard Kilpatrick, Édouard Claparede, Jean Piaget, Roger Cousinet e o brasileiro Anísio Teixeira, entre muitos outros, foram considerados, apesar das diferenças, escolanovistas e adotavam o pragmatismo filosófico. A Escola Nova tem seu maior enfoque na democracia e na importância da participação política como elemento central do fazer pedagógico.
Tanto a Escola Nova, a Fenomenológico-Existencialista e as do Pensamento Pedagógico Crítico defendem a necessidade e a importância da expansão da escola pública, laica e obrigatória, algo que será de extrema importância para reforçar a cidadania e a democracia de massa. O maior legado do Pensamento Pedagógico Crítico é a autocrítica que alerta sobre como práticas educativas progressivas que apesar de bem-intencionadas podem estar mal orientadas e apenas reproduzindo práticas opressoras, e as denuncia, mesmo se declarando alternativas ao modelo burguês, apenas o reproduziam.
Para dar uma dimensão da complexa relação entre “teoria” e “prática” no fazer pedagógico do educador brasileiro reproduzo a perspectiva de Dermeval Saviani (1983, p. 43):
“Imbuído do ideário escolanovista (tendência 'humanista' moderna), ele é obrigado a trabalhar em condições tradicionais (tendência 'humanista' tradicional), ao mesmo tempo que sofre, de um lado, a pressão pedagógica oficial (tendência tecnicista) e, de outro, a pressão das análises socioestruturais da educação (tendência 'crítico-reprodutivista').”
Sempre houve tensões na relação indivíduo-educação-sociedade e os sujeitos não dialogavam entre si de forma harmoniosa, apesar das afinidades e continuidades, havia também contradições, ambiguidades e disputas de poder. Deste modo, o entendimento do conjunto de tais ideias e perspectivas se dá pela via da multiplicidade e pluralidade. Em última análise, trata-se de uma arena de conflitos e disputas interpretativas sobre “o que é” e “qual é o papel” da educação. Teoria e prática muitas vezes não se afinam, porém o professor não pode perder de vista a sua responsabilidade como agente transformador da realidade na sociedade.
Em entrevista a docente Viviane Mosé, que tem mais de 30 anos de experiência, fala que a transformação da sociedade só pode ser levada a cabo por “pesquisadores”, isto é, “empreendedores e lideranças”, capazes de “desenvolver soluções para este mundo que desaba, que está em crise”. Teóricos e práticos devem trabalhar juntos. Segundo Mosé, tal objetivo não vem sendo alcançado devido ao “modelo lógico-racional de pensamento” adotado na gestão de políticas públicas e na gestão de sala de aula, como também pelos professores (que não devem ser culpabilizados) em razão do sistema universitário que os formou, sistema esse que é “horroroso, fragmentado, feito como uma linha de montagem com centros de saber separados uns dos outros”.
A história da educação no Brasil se inicia com a vinda dos jesuítas que trouxeram as primeiras escolas católicas que realizam “catequese” dos índios primitivos que foram doutrinados a partir da “demonização” da sua cultura e valores. Isto explica muito das raízes dessa colonização educadora.
Para responder as perguntas dos professores perplexos e desalentados, muitos fatores devem ser apontados como causa das mazelas do mundo contemporâneo. A desvalorização da profissão de professor que não goza de respeito nem respaldo junto à sociedade é a face mais cruel dessa crise.
Na dimensão técnica-pedagógica a educação deve ser focada no que se passa dentro da escola. Como ressalta Viviane Mosé, tivemos um grande avanço no alcance da educação que garante uma farta oferta de ensino democratizado, mas não dá conta do abismo entre as condições sociais em que vivemos. Sugere-se assim que houve uma preocupação com a quantidade das vagas para todos e a qualidade só será atingida numa constante necessidade de se adequar a mutante realidade. A escola precisa ter uma dimensão socioeducativa e não se alijar do papel de formar cidadãos com uma visão crítica e capacidade de atuar na sociedade. As metodologias e abordagens devem levar em conta a pluralidade e a quebra de preconceitos.
Outro fator é que o investimento humano foi preterido pelo investimento tecnológico pelo mundo afora nos diversos modelos de governo e esse descompasso criado pelo medo do diálogo aberto e honesto que ameaça às estruturas de poder instituído. Os professores muitas vezes são apontados como os influenciadores dessa revolução não desejada. A sociedade em rede quebra paradigmas de hierarquia não verticalizada. A internet propõe uma ordenação de bilhões de pessoas sem um “pai” ou líder reconhecido. Todos promovem conteúdos e compartilham em rede. Alunos ativos podem desdizer as informações dadas pelos professores pelo acesso a internet e às fontes originais de pesquisa. Há descentralização do conhecimento, portanto a escola dos nossos dias precisa dar conta de que o professor não é o centro das atenções e o senhor do conhecimento. Os alunos devem ser coautores do processo educativo e se apropriarem do poder de discutirem, discordarem entre si e do professor. A experiência individual ganha contornos motivadores e estudantes que se identifiquem na dinâmica de projetos de pesquisa a partir de questões problematizadoras oriundas da realidade que têm muito mais a acrescentar ao desenvolvimento de múltiplas competências que serão fundamentais para encarar o mercado de trabalho mutante, competitivo e globalizado.
Outro fator crucial é a dimensão do afeto na formação da ordenação moral e ética dos indivíduos. Incluir nas reuniões da escola os pais, aproxima os anseios e responsabilidades no sentido de lidar com a complexidade do pensamento das crianças e jovens.
Concluo que o amplo debate de inclusão tem que envolver todos os atores e os currículos precisam ser pensados levando em conta as novas exigências e ordenações mundiais, pois não há mais sentido em baseá-los nos conteúdos arcaicos. Importa mais o que o estudante faz com o que é aprendido e o torna autônomo e responsável. A escola precisa se reinventar com este caldeirão de saberes deixando-se atravessar pela arte, criatividade e cultura diversificada para se tornar um lugar de alegria e encantamento com o saber. As teorias precisam se aliar a práxis no seu melhor sentido de contemplar a atividade humana em sociedade e na natureza. Essa é a grande celebração do conhecimento e da humanização do processo de ensino-aprendizagem.
Referências bibliográficas:

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. História da educação. São Paulo: Moderna, 1996. Disponível na Biblioteca Virtual

A concepção socialista da educação e os atuais paradigmas ... – SciELO disponível em: www.scielo.br/pdf/es/v18n58/18n58a05.pdf

A educação contemporânea e os desafios da escola no Brasil, com Viviane Mosé. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=jeahVHKvXyE
GADOTTI, M. Boniteza de um sonho: ensinar-e-aprender com sentido. Novo Hamburgo: Feevale, 2007. Disponível em: https://docplayer.com.br/6255790-Boniteza-de-um-sonho-ensinar-e-aprender-com-sentido.html
Introdução às abordagens e perspectivas pedagógicas – Parte 1 - Unidade 2. https://unijorge.instructure.com/courses/3412/files/885781?module_item_id=51762 acesso em 10 de nov. de 2018
Introdução às abordagens e perspectivas pedagógicas - Parte 2 – Unidade 3. https://unijorge.instructure.com/courses/3412/files/885691?module_item_id=51767 acesso em 10 de nov. de 2018

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

ANÁLISE CRÍTICA FILME TEMPOS MODERNOS DE CHARLES CHAPLIN







Tempos modernos é um genial clássico filme dirigido e atuado por Charles Chaplin, onde a moderna e competitiva sociedade da época de Revolução Industrial é retratada de forma irônica, porém correta. Os exageros servem para evidenciar os prejuízos que o ritmo moderno, acelerado, pode trazer ao homem. 

O filme retrata as mazelas do Capitalismo e critica a situação da época pós crise da Bolsa de NY de 1929 em Wall Street - EUA, com um humor ácido, abordando os malefícios de uma sociedade industrial e consumista. Visando a todo custo o lucro e o aumento da produção, o patrão sacrifica seus funcionários, levando-os ao extremo do desgaste pelo trabalho.

Destaco a brilhante imagem na cena de abertura mostrando ovelhas em trote acelerado, enquanto na transição vemos homens, uma multidão, saindo do subterrâneo dos trens, uns indiferentes aos outros, cada um preocupado com sua própria vida.

Com um humor ácido, Chaplin aborda os malefícios de uma sociedade industrial e consumista. Em prol de lucro e produção, o patrão sacrifica seus funcionários, levando-os ao extremo do desgaste pelo trabalho. A repetição e a alta carga horária são outros pontos mostrados de forma ímpar.

A repetição de tarefas mecânicas, a alta carga horária das jornadas, a falta de privacidade até no banheiro, as humilhações e constrangimentos são pontos mostrados pelo gênio Chaplin com as consequências nefastas para a saúde social, física e psicológica dos trabalhadores, retratadas na absoluta falta de equipamentos de proteção e o desgaste que uma linha de montagem absolutamente repetitiva sobre os homens. Chaplin é submetido a uma pressão absurda e acaba surtando, é internado num hospital psiquiátrico para sanar a crise nervosa, esforços repetitivos de um trabalho monótono, insalúbre e sem nenhuma criatividade.

Os operários se submetiam a uma forma de produção em que não era mais de acordo com suas condições físicas e psicológicas, mas sim uma forma de produção que visavam maior lucro independente das condições de seus trabalhadores.

Chaplin vivia o personagem Carlitos, em que era trabalhador em uma grande indústria, fazia em seu trabalho sempre a mesma coisa, diferenciando dos dias de hoje em que o mercado de trabalho quer profissionais polivalentes, mesmo realizando sempre a mesma atividade, o mercado exige que essa profissional conheça o produto final e outras diversas atividades dentro da indústria.
Não só Carlitos, como muitos outros operários viviam a exploração dentro das fábricas devido à busca do lucro pelos proprietários, fazendo com que eles fizessem suas atividades muito mais rápidas para obter um produto final em menos tempo, fazendo seu trabalho de acordo com a máquina.
Na realização de sempre a mesma atividade, Carlitos teve um colapso nervoso, não conseguindo mais parar de fazer os movimentos que fazia muito rapidamente dentro da fábrica, sendo levado a um hospital. Após Carlitos sair do hospital curado, encontra a fábrica fechada, e ao buscar outro emprego é confundido com líder comunista e vai para cadeia. Na cadeia ele frustra uma tentativa de fuga de outros presos e é liberado da prisão conseguindo uma carta de recomendação por uma autoridade. Porém, mesmo com uma boa recomendação, Carlitos não conseguia se manter em outro emprego, pois na fábrica em que trabalhava, era alienado fazendo sempre o mesmo trabalho, desta forma não sabia fazer mais nada além de apertar parafusos.
Carlitos em outro emprego, ao realizar uma tarefa fácil de encontrar um pedaço de madeira parecido com o que possuía em mãos, tarefa tão fácil quanto apertar parafusos, mas não usando raciocínio, essa tarefa trouxe consequências desastrosas.  Não conseguindo assim outro emprego, Carlitos fazia de tudo para voltar para a prisão.
Retratada no filme, uma sociedade em caos, com grande crise de desemprego Carlitos conheceu uma moça que vivia grande miséria, roubando comida para sobreviver, não tinha mãe e seu pai estava desempregado, seu pai foi morto, mostrando também a violência nas ruas na época. Para não ir para um abrigo, ou adoção ela foge.
Carlitos consegue seu emprego de volta na fábrica, mas logo depois os funcionários entram em greve novamente, e em meio à confusão ao jogar sem querer uma pedra em um policial, ele é preso novamente.
Ao sair da prisão, Carlitos se encontra novamente com a jovem, que havia conseguido emprego como dançarina em um restaurante mostrando o trabalho infantil até mesmo noturno em que hoje existem leis a serem seguidas mediante contratação de menor. Retratando também nessa parte do filme a inserção da mulher no mercado de trabalho. A jovem consegue também um emprego no restaurante para Carlitos, porém a jovem tida como vagabunda, foi procurada pela polícia, mas conseguiu fugir com Carlitos.
O filme retrata o cotidiano de operários oprimidos, não têm nenhum valor para os donos das fábricas. Os que reclamam em greves e protestos são demitidos e presos como o próprio personagem Carlitos. Há muitos desempregados que permanecem na marginalidade e sem acesso a nenhuma proteção social.
As greves e manifestações dos empregados eram agressivamente reprimidas pelas autoridades, defendendo dessa forma os interesses da classe dominante. Mas a partir de greves, hoje existem melhores remunerações, diminuição da jornada de trabalho e melhores condições para o trabalhador. Porém, o homem dos tempos atuais ainda é escravo do tempo e da produtividade muito embora tenhamos melhorado as condições através da união dos operários em associações e sindicatos que negociaram leis que protegem mais os trabalhadores. Porém com a globalização, alta conectividade, inteligência artificial, competição cada vez maior do mercado e a substituição do trabalho humano por máquinas progressivamente mais eficientes, o homem se vê na obrigação e pressão por se aperfeiçoar e capacitar mais para manter-se empregado. Porém, ainda não há claramente um domínio das máquinas em todos os setores, principalmente no setor de serviços nos países menos desenvolvidos tecnologicamente.  

Fica a reflexão para a sombria perspectiva de um futuro em que as máquinas substituirão a mão de obra humana em grande parte originando a classe de pessoas inúteis como retrata o historiador e escritor israelense Yuval Harari onde não apenas os profissionais fiquem desempregados mas se não conseguirem se reinventar ficarão à margem do mercado de trabalho.

Nathalia Leão Garcia

Rio de Janeiro, 13 de setembro de 2018.





sexta-feira, 7 de setembro de 2018

SAIA DA CAVERNA

                                                       
 Mito Da Caverna Platão 


Há dentro de uma caverna inúmeras pessoas amarradas por correntes uma ao lado da outra,algemam os pés e as mãos delas em âmbito coletivo. Todas essas pessoas estão viradas para parte do fundo da caverna, onde se deparam constantemente com uma enorme parede a sua frente. Logo atrás delas existe uma fogueira enorme, perto da entrada, que projeta na parede do fundo da caverna, a sombra de tudo o que passa lá fora. Essas pessoas ficam ali, sentadas, deparando-se constantemente com as sombras (ilusões), e acreditam que aquele é o verdadeiro mundo (ler aparências para de Platão), pois tem medo de olhar para o outro lado, ficam ali presas a suas ideologias. Porém, uma daquelas pessoas que está ali sentada, resolve perder o medo e arrebenta suas correntes. Levanta-se daquele lugar, e vai em direção a saída. Ao sair da caverna se depara com o mundo verdadeiro, com os animais e as cores que jamais havia visto em sua natureza. Chegando perto dos demais que estavam dentro da caverna, ele lhes conta tudo o que viu, afirmando que eles estavam errados em ficar vendo as sombras sendo que o certo estava lá fora. Os outros disseram a ele: " você está louco, essa é nossa realidade, quem é você para dizer o que é certo ou errado para nós?" Logo em seguida lançaram-se sobre ele e o mataram! Este que mataram se chamava Filósofo!





segunda-feira, 3 de setembro de 2018

MULHER MANIFESTA



Sou como as tempestades
Adormeço calmarias nas tardes
Anoiteço tormentas e paixões.

Esperam que eu mantenha a temperatura
Escolha os temperos mesmo impura.
Contenha sensações
Burile os turbilhões

Inconsciência inconstante
Sou meio mutante
Inesperada e instável canção

Sou fogo de palha
Quando se espalha
ninguém junta não.

Não me rendo
Varo noite adentro
Travando batalhas incontáveis.
Sonhos delirantes em evocação.

Sou guerreira sem fé
Erro pelos caminhos a pé
Não me acho nos atalhos da oração

Destrono o meio mais fácil das trilhas.
Enalteço as tortuosas vidas das filhas.
Descontroladamente insignificante
Intolerante e detestável
para o que considero ignóbil.

Não são puros os meus dias
Não são audíveis os meus ais.
Que me perdoem as intempéries.

Sou contradição e contramão.
Quixote por desvarios em série.
Luta inglória e inconfiável.

Não sou vulgar nem singular
Sou plural e incomunicante.
Bárbara mas não banalizante.

Insana como a volúpia.
Desatino com meu grito e luxúria 
Que me faz fera ambulante.
Indubitavelmente fugaz e incessante.

Não espere de mim candura
Nem que eu aja com doçura
Não sou feita pro seu abraço
Meu caminho eu mesma traço.

Nathalia Leão Garcia

Rio, 03 de setembro de 2018 



O fóssil Luzia, esqueleto mais antigo das Américas ficava no Museu Nacional e foi destruído pelo incêndio ontem 02 de setembro de 2018. O Museu Nacional na Quinta da Boa Vista pertence à UFRJ é um Museu de História Natural, maior do Brasil e 5o. maior do Mundo. 


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

ACTRESS SOUL


I learned to inhabit my lonely emotion.
I write to my imaginary son.
The same fictional childhood´s companion.
I live in the point of mutation.
I'm a chameleon, I'm a misguided person.
In search of shelter for my passion.

My meaningless expects a look´s reflection
Let me borrow some order invisible.
Let me accept the contradiction.
I hope the reconciliation of the impossible
Something that legitimates my madness.
But do not try to explain me on
I expose myself to extreme whiteness.
I´m not blessed, I beg your pardon.
I live on the edge sickness,
That was a close shave.
I´m like an actress!
I accept that change makes me an eternal child.
Good mood and a little pepper sauciness.
Always like to be a devil wild.

Nathalia Leão Garcia

January 10th 2018.




ELEMENTARY WHY



I invite you to reflect with me
Please help me to inquire.

Where are the kisses, pretty? Torn, tattered, unspeakable!

Where's the sharing and complicity?
Where all this vanity will leads us unutterable?

Where are the altars of our desires?
Why I can´t see me by
When I´m thinking about you guy?
Explain to me why?
If the words were lying?
I don’t recognize me in the framed picture, why?

Tentative thoughts lurking sanity youth.
Meanwhile, downstairs egos are struggling in my eyes
turning the whole truth
in pleasant lies


Nathalia Leão Garcia

January 10th 2018.


BEING



The exercise of ridicule can free us
of immutable certainties ways
Being afraid of part the process plus
We are fragile beings hey
Subject to rain and thunderstorms thus
Became to the beautiful days
Transformed into moonlit night.
Laugh, joy and mock censorship revolution.
Dream and desire healing power wright.
Take on the role of production
D´ont worry if the choice´s right.
Have a shadow for a mate evolution.
Just walk into the light.
The darkness shows us other instructions
Jump the wall and embrace the fool bright.
Attitude is needed to cross the border directions.
Get involved in a creative project,
Even the imagination
May seem to desert you yet.
You can enlighten your brain 
by keeping connection,
Draw a blank every time jet.
Yeah you could be a reaction.
Sometimes we need a break to free and let.
Something new as a contribution.

Nathalia Leão GarciaJanuary 10th 2018.



MEMÓRIAS DO SUBTERRÂNEO

Talvez não me reste nada além de manter a mentira da felicidade fácil, das juras de amor mais deslavadas. Desavergonhada farsante. É b...