Me desdobro nas dobras e nos meios.
Vivo perigosamente suspensa
no varal dos meus devaneios
e ao que mais minha alma pertença
nada além das fronteiras da coisa amada.
Mas o que é a
paixão?
Esta vândala desalmada
que se apodera de mim por inteiro
e carrega nas
suas entranhas
o gérmen do desequilíbrio.
Alimentada pelo mistério e suas manhas
A paixão é que nos escolhe.
Acolhe e atola nesta areia movediça.
Afoga, mói, tritura e purifica.
A experiência sublime do desapego
O delírio da unidade que eterniza.
O inferno ardente do desassossego.
O cúmulo do altruísmo que modifica.
O que resta daquele cheiro, daquele calafrio?
No fim me reciclo e me desmancho.
Reinvento o meu ser permeado
e me descubro maior e mais profetiza.
Nathalia
Leão Garcia
Rio,
19 de maio de 2014.
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