sexta-feira, 22 de agosto de 2014

A MEMORÁVEL FESTA DE ANIVERSÁRIO



Esta semana lendo a coluna da Martha Medeiros de domingo, deparei-me com as reminiscências da festa de aniversário inesquecível  dela dos seus 10 anos em que relatou a realidade das festas de antigamente sem shows de Anitta, coreografias de funk e outras pirotecnias da era tecnobrega mas eram regadas a emoção de compartilhar com os pais e familiares queridos.

Esta leitura me fez entrar no túnel do tempo e relembrar a minha inesquecível comemoração de aniversário de 10 anos.  Minha madrinha que era minha tia avó, solteira, independente e uma espécie de ídolo para mim resolveu me presentear com a minha primeira e única festa de aniversário na infância. As lembranças dessa minha história dão conta de mais um pretexto para fazer a minha terapia  de passar a limpo as minhas impressões tatuadas na memória afetiva. Da série, lembranças da infância pré-histórica!  

Faço aniversário em meio às férias de janeiro, com a debandada geral da cidade do Rio de Janeiro e no mês em que estoura o orçamento das famílias por conta dos gastos com Natal e ano novo e as fatídicas facadas do IPTU, IPVA e renovação de matrícula nas escolas.

Não era das mais populares na infância e aquele ano coincidiu com a mudança de escola particular para a pública. Eu era louca para “aparecer”, era falante, fazia teatro, dançava  mas sempre na hora de apresentar-me a minha mãe arrumava uma quizumba e lá estava eu fora das festas, além do mais para o meu desespero,  ela adorava dar show na porta da escola na entrada insultando os possíveis amigos com a declaração anti-social de que “ ninguém era bom o bastante para freqüentar a nossa casa”. Eu era por assim dizer, odiada por todos como uma unanimidade de antipatia! Arrumava assim muitas inimizades e encorajada por mamãe era uma aprendiz de lutadora de MMA! Vivia aos tapas com todos os colegas e vizinhos do bairro!

Os meus 10 anos foram ainda mais memoráveis porque minha avó Nadyr que me criou e é a responsável pelos meus melhores traços de humanidade e doçura na vida havia morrido às vésperas do Natal, um mês antes do meu aniversário.

Eis que a minha dinda Arlette que era irmã da minha avó falecida, para me compensar da tristeza organizou uma bela festa de aniversário na Confeitaria Colombo na Av. Copacabana extinta há décadas, hoje abriga uma luxuosa agência do Banco do Brasil.

Era um endereço mágico pra mim! Eu adorava a arquitetura e a decoração Art Decô! Sim , eu era um ET por me encantar com aquela “ velharia “ aos 10 anos!

Muito que bem, chegou o grande dia e a minha mãe me reservou o mimo de levar-me ao salão de beleza para fazer as unhas o que eu sonhava e ela sempre falava que era “coisa para mocinhas”  e eu era uma pirralha mesmo lendo Machado de Assis e Jorge Amado feito gente grande! Ganhei também um lindo vestido de laise rosa feito sob medida para mim e sapatinhos de verniz de pulseirinha, parecia a Dorothy do Mágico de Oz!

A platéia que não chegava a 10 pessoas incluía minha mãe, minha irmã mais nova de 7 anos, a Dinda e algumas crianças,  netos das amigas da minha madrinha.  A minha vida social era um desastre!

No grande dia tão idealizado estava eu lá vestida como uma princesa naquele luxuoso  “ palácio” com que sempre sonhei, mas estava muito triste porque sentia a falta da minha avó , do meu pai sempre ocupado que nunca estava presente, meu único tio e primos moravam em Petrópolis e eu me sentia só!

Dramática desde pequena eu sonhava em ser cantora lírica e a minha ópera predileta era Carmem que eu imitava debaixo da torrente de comentários desencorajadores de mamãe! Na hora do parabéns ao som do piano de cauda tocado pelo músico de casaca triunfal, refugiei-me no banheiro para chorar sem que ninguém me visse!

Tudo que eu queria eram os abraços dos ausentes que eu amava!

Até eu ingressar na Faculdade de Psicologia não costumava comemorar aniversário. Mas na UFRJ encontrei “a minha família aquariana” e passei a celebrar coletivamente e até hoje é a minha forma predileta de passar a data.

Este ano como de costume, estava trabalhando e descobri mais duas colegas que faziam aniversário na mesma data!

Já comemorei o meu níver de forma mais intimista “morando “ uma tarde toda numa grande livraria e foi um êxtase estar naquele lugar que povoa os meus sonhos!
Acredito que a data de aniversário é uma oportunidade para celebrar a vida e agradecer tudo que conquistamos!

Não há nada que substitua a presença das pessoas que amamos ao nosso lado, mas aprendi a não me render às lamúrias e  enxergar o lado bom da vida em cada situação.
Trabalho com organização de eventos e adoro uma festa para compensar!

Apesar dos dramas, aquele aniversário de 10 anos na Confeitaria Colombo veio à tona como inesquecível, pois tive que aprender a lidar com as faltas, a frustração e a saudade e isto me tornou uma pessoa que super valoriza as amizades e as demonstrações de afeto.

Como dizia Ghandi,  não existe um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho!


Nathalia Leão Garcia 


Rio de Janeiro, 22 de agosto de 2014 







terça-feira, 19 de agosto de 2014

VERSAR COM



A propósito das calorosas discussões a respeito de política, religião, sexualidade e demais temas espinhosos é preciso lembrar que dependem do ponto de vista, não há certo ou errado!

Vivemos um ano decisivo de Eleições para Presidente e Governadores no nosso país.  Acredito  fervorosamente na democracia, na conversa (versar com), no respeito às opiniões, na inclusão, na diversidade e na pluralidade de ideias!

Como me interesso por gente e política acredito que podemos aproveitar este espaço para discutir com civilidade e sem proselitismo ideias e ideais!

O debate enriquece a vida e é muito bom ver o mundo através de novas lentes! Encarcerar-se em ideias pré-concebidas envelhece e emburrece a alma! Podemos nos manifestar com educação e empatia usando de gentileza para com os que se opõem aos nossos sagrados ídolos!  

Não respeitar o direito democrático é uma atitude fascista! Acho importante manter as amizades e o nível dos comentários! O mundo já tem muita intolerância e esse é o motivo das imbecis guerras!

 "Enquanto os homens exercem seus podres poderes", pessoas morrem de fome, de diarréia e de sede!

Não importa ter razão e sim ser feliz! E trabalhar por um mundo melhor sendo melhor a cada dia para o mundo! As futuras gerações poderão agradecer por preservarmos a vida e a esperança!


Nathalia Leão Garcia 


Rio, 19 de agosto de 2014.


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

ORNITOFOBIA


O nome parece pomposo e altivo, mascarando o seu real e prosaico significado: o medo anormal e irracional de aves. Confesso que sofro deste transtorno que se traduz na extrema angústia e medo de perder o controle. Senti-me encorajada a falar sobre este delicado assunto após assistir com muita compaixão e identificação ao relato da cantora Luiza Possi no programa Encontros com a Fátima Bernardes confidenciando sobre este ridículo calcanhar de Aquiles!  

Por este bizarro medo, desde a mais tenra idade sempre fui alvo de bullying que naquela época era apenas escárnio, chacota e encarnação mesmo!  

Uma explicação para tão estranho temor pode ter origem no fato de que a minha mãe assistiu ao filme Os Pássaros de Alfred Hitchcock quando estava grávida de mim. Relembrando o filme do mais puro terror que aborda a fobia discorre sobre a história de um casal que luta pela vida desesperadamente contra a força mortal de aves que protagonizam uma série de ataques aos cidadãos indefesos da cidade de Bodega Bay na Califórnia EUA.

Diga-se de passagem, este não é um filme apropriado para mulheres especialmente grávidas, porém mamãe foi  uma mulher singular durante toda a sua vida. Era um misto de libertária, behaviorista, neofascista e treinadora do BOPE na educação das suas filhas, dentre as quais eu sou a primogênita.

Os traumas que lembro com os pássaros são posteriores à ornitofobia instaurada. Aos meus 15 anos minha mãe fez uma de suas experiências terapêuticas comportamentais com inspiração behaviorista:  desafiou-me a entrar num viveiro de pássaros ornamentais do porte de galinhas, galos e perus no sítio de um amigo da família a quem eu gostava de impressionar pela bravura.  Eu tinha uma reputação a zelar, era a mais velha de uma tropa de 5 crianças e era tida como intrépida e destemida, pois havia matado uma cobra coral a tiros de espingarda para proteger os petizes!  Pois muito que bem, entrei no tal covil das feras que era fechado e diante da platéia incrédula,  fechei os olhos e “ saí fora do meu corpo” enfrentando o medo. Aos calafrios vertiginosos sentia o bater das asas dos pássaros em fuga, roçando na minha pele,  meu coração saltando pela boca  e eis que eles sumiram sem deixar rastros! Ufa! Sobrevivi a esta prova de fogo!

Anos mais tarde, já na Faculdade de Psicologia na UFRJ, fazia estágio em Psicofarmacologia no Instituto de Psiquiatria que consistia em observar os pacientes em seu horário de lazer no pátio da clínica e eis que surgem do nada um pequeno exército de pombos,  patos, gansos, marrecos, pelicanos , flamingos , galinhas , perús ... e derivados alegremente interagindo com os doentes em recreio! Foi o pior mico da minha vida, não consegui controlar a minha reação de pavor, saí correndo aos gritos diante dos olhares de pena dos internos! Soube depois que o convívio com os emplumados fazia parte da terapêutica dos internos. Estava acabada a minha carreira como Psicóloga depois deste vexame no hospital psiquiátrico, mas não desisti e ainda tentei estagiar no Pinel!

Outro episódio memorável ocorreu alguns meses depois, quando atravessava a Praça XV rumo às Barcas na companhia de uma amiga que estudava Medicina na UFF em Niterói: um pombo preto cismou de pousar na minha cabeça e se aninhar nas minhas longas madeixas!  Desmaiei como efeito e acordei sendo socorrida pela minha amiga e rodeada de uma multidão de curiosos!

Desde pequena provoquei mudança nos hábitos alimentares da família porque não aceitava visitar aviários nem tampouco comer aves de qualquer espécie! Costumava fazer discursos a favor das pobres criaturas para convencer outras pessoas a excluir carne de aves do cardápio! Tornei-me macrobiótica aos 18 anos para evitar os encontros desagradáveis com as tais criaturas!

O meu problema maior é deflagrado quando as aves levantam voo, a simples lembrança das penas das asas me arrepia toda e tenho vertigens!

Há alguns anos venho controlando os ataques de ansiedade com meditação e auto hipnose. São técnicas para lidar com os desagradáveis sintomas.

Teorias apontam o medo como um fator de sobrevivência que nos preserva de perigos de morte, como no experimento com ratos que ficaram na mesma caixa com uma cobra, os que sobreviveram não a enfrentaram ficando parados. Na vida em geral, quando o medo é exacerbado nos paralisa e impede de viver. O excesso de controle nos isola do convívio que nos amedronta e nos impõe um cárcere estéril e asséptico. 

A cura  passa pela busca do entendimento e elaboração dos significados simbólicos do sofrimento e dos sintomas desenvolvidos, bem como a  elucidação dos ganhos secundários obtidos desses.


Nathalia Leão Garcia 


Rio de Janeiro, 18 de agosto de 2014 


                           
Alfred Hitchcock_- cena do filme "The_birds"

quarta-feira, 2 de julho de 2014

PROSA EM TEMPOS DE CÓLERA


Em tempos em que muitos praticam a falta de delicadeza no melhor das hipóteses e onde a truculência de outros tantos que se impõem através da força e da ignorância, é bom lembrar o mundo plural em que vivemos e a urgência da humanização. A única possibilidade de sobrevivência neste planeta se dará através da cooperação. O mais importante é que haja respeito e convivência civilizada entre as pessoas, não importa que sejamos diferentes e que tenhamos pontos de vista divergentes. Não pode haver grilhões para a palavra e é necessário exercer a nossa cidadania. Coexistir de forma harmônica com as diferenças é a única forma de nos mantermos no Universo! O proselitismo encarcera as ideias! Vivemos um lamentável fundamentalismo ideológico que empobrece os discursos. Estamos perdendo a capacidade de existir em sociedade! E isso é alarmante! Respeito e inclusão! Usemos as palavras e o poder da argumentação, não intimidação e desqualificação do discurso do outro. Há lugar para todas as ideias. Feio é a não aceitação do direito do outro, egocentrismo, narcisismo. Existe vida além do eu!


Nathalia Leão Garcia

Rio, 2 de julho de 2014


quarta-feira, 25 de junho de 2014

EPOPEIA DO DEVANEIO ALQUÍMICO



Metáforas de Netuno em nossa vida.
Amor improvável de um casal arquetípico.
A Vênus aquariana ensandecida
O Marte geminiano quer tudo ao mesmo tempo.
E se dá o encontro onírico.

Por breves e secretos momentos
O contato é intrigante e arrebatado.
Os astros colidem violentos.
Mitologia da alma no vento.
Surreal, diáfano, etéreo, romance desmesurado.

Desejo que fique comigo,  
Mas fujo assustada deste Sol que me tira do prumo.
Intuo os perigos e prossigo.
O que torna picante e irresistivelmente mágico
É a incerteza, a quimera, a falta de rumo.

Duas almas que sempre se quiseram em vão.
Além do espaço, aquém do trágico.
Querer intenso que se materializa na fusão.

Fizemos pactos de não interferência.
Tácitos não revelam, mas envolvem
Chegam de repente e tomam por irreverência.

Invasão bárbara e endêmica.
Pelos poros se infiltram e ardem.
Pigmentam a paisagem oceânica.
Na derme se fundem como tatuagem.

Pagar para ver, deixar rolar as manhas.
Seduzindo, persuadindo.
A sensação invade as entranhas.  
E continua seu caminho infindo.

Há que apreender sem te prender.
Nesta viagem sem limites e sem fronteiras.
Não se arrepender nem te perder.
Soltar de vez a loba desvairada que escapa pelas beiras.

Minha Lilith Ariana gladiadora voraz e feroz
disputa com a Lua Virginiana irônica e recatada
Numa batalha sangrenta e atroz
Sobra a minha carne lacerada
em lascas tão finas esculpidas pelo algoz.

Corpo e alma.
Anima e animus.
Yin e yang.
Lado A e lado B.
Verso e reverso.

Uma contradição sem fim.
Meus “eus“ irreconciliáveis.
Os opostos que moram em mim.
Não se prendem aos alicerces confiáveis.
Nem aos códigos arcaicos de marfim.

O cetro serpenteia na vértebra
Libidinosamente numa espiral
Faz tremer meu corpo num êxtase e celebra
O transe mediúnico abre o portal
E me transporta pra um cenário desértico de quebra.

Nos perdemos no portão de embarque num instante
Longo caminho de retorno à estrada
Casamento cósmico num tempo distante.

É pelo olhar que pedimos licença de entrada
Para o triunfal desfile mutante
adentrar a nave sagrada.

A volúpia é invejável.
A poção venenosa vicia.
Essa fome inadiável
Que somente uma fonte sacia.
A remissão dos pecados é inegável.

Meu amante clandestino, não se ofenda!
A minha teia ilude.
Não se renda!
O fogo da paixão é incompletude.

Chega ao fim meu delírio de alucinação.
O despertar de um sonho de Morfeu.
Num palco iluminado de peregrinação.
Persisto na busca do Romeu.
Com a rebeldia de Urano e inspiração.

Nathalia Leão Garcia


Rio, 25 de junho de 2014


quinta-feira, 12 de junho de 2014

DECLARAÇÃO ATREVIDA DE AMOR À ARTE DA ADORAÇÃO



Chegou a hora: vai ter Copa que tantos odeiam amar! Lidando com a ansiedade e agitação pelo início da Copa do Mundo me arrisco a rabiscar algumas linhas que mesclam os meus delirantes desejos. Quero conciliar as minhas paixões desbragadas pelo amor universal, pela liberdade, pela magia do futebol, pelo meu povo e pela vida! Ouso juntar no mesmo tacho a minha raça e protesto pelas iniqüidades que sofremos nesta pátria enxovalhada e abusada,  que samba bonito, dá beijinho no ombro e teima em ser feliz! Pra não dizer que estou alienada, torcendo desavergonhadamente por futebol quando há patrulhas por toda a parte tentando amordaçar o nosso direito de festejar com o que temos de melhor a nossa arte! Vivemos um momento muito forte em que o poder está sendo questionado e os reis estão caindo com seus escândalos fazendo ruir as torres! Há uma crise de autoridade e os astros nos mostram isso com o trânsito do planeta Plutão em Capricórnio. Sair na porrada e perder a compostura questionando a autoridade( Urano em Áries- olha aí a astrologia de novo!) é grave em qualquer instância.  O conflito do direito à liberdade e o respeito às leis torna o debate mais violento!(Quadratura Plutão - Urano) Que forças temos que enfrentar?  Viver e lidar com as contradições! E sem medo de ser feliz sou atrevida, despudoradamente apaixonada e com prazer quase indecente de curtir futebol!  Mando o meu barquinho pra Iemanjá com o desejo de boa sorte aos nossos meninos do Brasil essa pátria de chuteiras que sonha e quebra barraco, para que a paz e a liberdade triunfem! Solidariedade, união e vamos namorar a  vida e sorver das fontes que nos animam! E para embalar com força a nossa torcida  que tenha um som e a  arte da nossa música transformadora como os versos de Caetano e os Podres Poderes. Vamos despertar os sentidos e vibrar com o que nos mexe seja lá o que for!

PODRES PODERES

Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Motos e fuscas avançam
Os sinais vermelhos
E perdem os verdes
Somos uns boçais...
Queria querer gritar
Setecentas mil vezes
Como são lindos
Como são lindos os burgueses
E os japoneses
Mas tudo é muito mais...
Será que nunca faremos
Senão confirmar
A incompetência
Da América católica
Que sempre precisará
De ridículos tiranos
Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que esta
Minha estúpida retórica
Terá que soar
Terá que se ouvir
Por mais zil anos...
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Índios e padres e bichas
Negros e mulheres
E adolescentes
Fazem o carnaval...
Queria querer cantar
Afinado com eles
Silenciar em respeito
Ao seu transe num êxtase
Ser indecente
Mas tudo é muito mau...
Ou então cada paisano
E cada capataz
Com sua burrice fará
Jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
Caatingas e nos gerais
Será que apenas
Os hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons
Seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão
Dessas trevas e nada mais...
Enquanto os homens exercem
Seus podres poderes
Morrer e matar de fome
De raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais...
Eu quero aproximar
O meu cantar vagabundo
Daqueles que velam
Pela alegria do mundo
Indo e mais fundo
Tins e bens e tais...
Será que nunca faremos
Senão confirmar
Na incompetência
Da América católica
Que sempre precisará
De ridículos tiranos
Será, será, que será?
Que será, que será?
Será que essa
Minha estúpida retórica
Terá que soar
Terá que se ouvir
Por mais zil anos...
Ou então cada paisano
E cada capataz
Com sua burrice fará
Jorrar sangue demais
Nos pantanais, nas cidades
Caatingas e nos gerais...
Será que apenas
Os hermetismos pascoais
E os tons, os mil tons
Seus sons e seus dons geniais
Nos salvam, nos salvarão
Dessas trevas e nada mais...
Enquanto os homens
Exercem seus podres poderes
Morrer e matar de fome
De raiva e de sede
São tantas vezes
Gestos naturais
Eu quero aproximar
O meu cantar vagabundo
Daqueles que velam
Pela alegria do mundo...
Indo mais fundo
Tins e bens e tais!
Indo mais fundo
Tins e bens e tais!
Indo mais fundo
Tins e bens e tais!


Nathalia Leão Garcia


Rio, 12 de junho de 2014. 


terça-feira, 10 de junho de 2014

ME RESUCITA



Estoy tratando de obtener algún sentido de la vida.
Porque todo parece muerto y gris,
como este fin de semana de plomo.
El plomo sella mi estado de ánimo.

Me siento estéril e inerte.
Todo placer y alegría
están atrapados en la prisión
Aparte de cualquier límite conocido.

Sigo mi rutina como el robot.
Mañanas pierden frescura.
Noche, el resplandor de las estrellas.
Y esto sólo permanece vacío abismal.

Mi cuerpo y mi alma
no quiere olvidarte,
El sueño no obtenido.

Esta soy yo ahora
indefensa y dinamitada por  la futilidad.
Contenida por mis gritos
eco de mi presencia

Mi existencia es un desierto
habitado por la memoria
de un curso de la vida que yo renuncié ...   

Mis besos, mis susurros,
mis sentidos, mi alegría están dormidos.

Envueltos en celofán.
Sólo tú tienes el poder de desenvolverlos.
Porque son tuyos...


Sólo un deseo: 
me resucita.


Nathalia Leão Garcia
Rio, 10 de junho de 2014. 

                         

Madonna, 1894 by Edvard Munch

MEMÓRIAS DO SUBTERRÂNEO

Talvez não me reste nada além de manter a mentira da felicidade fácil, das juras de amor mais deslavadas. Desavergonhada farsante. É b...