terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

CANTANTE


Quem ama não é insignificante.
Antes disso, mais do que importante.
O amor não aceita ser “ficante”.
É personagem principal o amante.
Incomoda e incomodante.
Captura e aproxima o distante.
Celebra o sal da vida vibrante.
Quem quiser mais que cante.

Nathalia Leão Garcia
Rio de Janeiro, 10 de fevereiro de 2015.



segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

CONSIDERAÇÕES SOBRE A TRANSITORIEDADE



Amar para sempre todos os dias!
A vida é provisória e precária! 
Tudo muda o tempo todo como uma onda!
Acreditamos que tudo era pra sempre, mas o pra sempre, sempre acaba!
É de bom alvitre ter o timing para perceber o momento certo de terminar.
São tantas coisinhas miúdas e papos tortos.
A coisificação na contaminada rotina.
O ex casal romântico namorado vira um casal burocrático casado!
As lendas urbanas masculinas rezam que os homens falem mal das esposas.
Os homens sofrem de dificuldade de assumir a felicidade conjugal quando existe.
Eles contam vantagens no faroeste dos bares sobre as suas eternas conquistas!  
Às mulheres cabe escolherem bem os seus homens e seja lá o que Deus quiser!
Não podemos antever o fim das relações.
Podemos escolher viver mitologias ou a vida real.
É melhor que um romance morra ainda fervilhante pra preservar o frescor e a beleza eterna!
Podemos transformar os ex-amores em grandes amigos.
O romance não merece ser remendado, pois é bonito inteiro!
Vamos viver com intensidade enquanto o amor durar posto que é chama!
Aprisionar o pássaro livre do amor nos grilhões das leis e convenções.
Antigos recursos inúteis que passam pela possessividade, o ciúme, as chantagens.
If you Love somebody set them free! Se você ama alguém deixei-o(a)  livre!
A transitoriedade permeia todos os processos da natureza incluindo a humana.
É hora de viver o desapego!
Preparar o cenário para a nova dança!
Abrem-se as cortinas: é show!


Nathalia Leão Garcia

Rio de Janeiro, 26 de janeiro de 2015.


sábado, 24 de janeiro de 2015

SINTONIA



Ando por aí tentando me encontrar
Em cada trilha, canto em cada olhar.
O que busco está além do mar.

Amar com paz
Aquém dos sonhos tu dirás.
Porém eu quero muito mais.

Perco tempo com a fome
Este sentimento que me consome
É intraduzível, não tem nome.

Perdi a compostura
Mas trago comigo alguma doçura
As vestes do tempo têm traços de candura.

Os desertos povoam as imagens
Tateiam e permeiam as miragens
Meu barco não alcança as margens.

O velho sentimento de inadequação
ronda as noites vazias de paixão
Na busca sigo os acordes da canção.


Nathalia Leão Garcia 

Rio de Janeiro, 24 de janeiro de 2015 



                                                            Kandinski

RUÍDOS ÉTEREOS


Sinto algo indefinido
Desconfio dos rumos
Ultrapasso o terreno erodido

Perco o prumo
Desatino e sumo

Não pertenço a esse roteiro
Talvez nada me contenha
A rebelião atravessa meu corpo inteiro

Depus as certezas
Preciso desvendar meus mistérios
Facear toda a solidão.

Quero deixar as tristezas
Viver tudo com paixão
Não faço planos sérios.

Apenas me entrego aos devaneios
Porque não caibo nos rótulos?
Não sei viver pelos meios.


Nathalia Leão Garcia 
Rio de Janeiro, 24 de janeiro de 2015 


                                           Kandinsky, O último julgamento(1912)

ESTRANHA



Sim  sou  outra a cada dia.
Vivi  tantas coisas nestes anos ...
O senhor do tempo nos altera, mói e soca
para servirmos de massa para a essência da vida!

Não perdi a autenticidade
nem a vocação para ser feliz .


Nathalia Leão Garcia 

Rio de Janeiro, 24 de janeiro de 2015 



                                                                                           Kandinsky, (1923)



quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O INEXPLICÁVEL

Amar é precipício
Uma queda, uma vertigem.
Não há preparo prévio.
Somos iniciados sempre virgens.

O amor é rebelião desde a origem
É ele quem nos escolhe de início
sem pressa pra sua morada.  
Se apossa da nossa alma como vício.

O amor não é escolhido
Seu preço é o desajuste
O desconserto é consentido.
E a perda das certezas embute
Não possui nem é possuído.

Quem retorna do amor desprevenido?
Visita as suas terras desavisado
se perde nos seus desertos e é punido?
Ainda retorna desse território desconhecido.

O amor tece o tom da vida
Desvela a epifania do destino
Subverte os códigos da partida
Mergulha fundo no desatino.


Nathalia Leão Garcia

Rio, 4 de dezembro de 2014 



segunda-feira, 17 de novembro de 2014

TEMPO EM TEMPO



Pessoas arrastadas pelo tempo,
batendo ponto na existência
e cumprindo protocolos inúteis.

Alguns preenchem os seus vazios interiores
adotando agendas de CEO
e  acumulando coleções inúteis de entulho
na tentativa vã de adquirir algum significado
e povoar seus desertos emocionais tão pobres.
Sinal dos tempos superficiais, tão iguais e disformes.

"Quem roubou nossa coragem?
Este verso da Legião Urbana é perfeito
para traduzir a angústia da nossa geração amordaçada,
comprimida entre os saltos abissais
que tivemos que dar ao longo do caminho.

Civilização dinamitada
pela falta de ilusão
em relação à humanidade cruel e frívola!

Transbordando em emoções
e necessidade de desaguar o que sinto
que já não cabe mais em mim,
preciso inundar a terra que me cerca!

Cansei da aridez das pessoas!
Não me identifico com isso!
Meu estado é líquido!
A felicidade é aleatória,
não há mapas nem qualquer atalho seguro!

As oportunidades são projeções holográficas
que nos surpreendem e nos assaltam,
nos sequestram da rotina impiedosa
e renovam as esperanças
fazendo a vida valer a pena!

Desde muito cedo na vida,
escolhi ser feliz independente das circunstâncias!
Mantenho um jardim interior povoado de sorrisos,
atitudes nobres e coragem!

Felicidade para mim é um estado de espírito
e acredito que podemos nos manter assim
sem nos contaminar pelo entorno!

Assim como não concedo a ninguém
o poder de roubar a minha paz,
também não permito que roubem
a minha alegria e fé na vida!
Eu escolho ser feliz! 


Nathalia Leão Garcia

Rio, 18 de novembro de 2014





















Salvador Dali 

MEMÓRIAS DO SUBTERRÂNEO

Talvez não me reste nada além de manter a mentira da felicidade fácil, das juras de amor mais deslavadas. Desavergonhada farsante. É b...