sexta-feira, 3 de julho de 2015

A CURA PELA PALAVRA

Li este texto primoroso que revela as nuances dessa revolução na medicina! Eu sou a prova viva de que "as palvras curam" ! 
Em 2012 iniciei meu próprio Blog de Poesia  " Atrevida à Flor da Pele" com o intuito de curar-me da insônia, melancolia, solidão, depressão, desamor, saudade e da própria loucura dos dias de hoje. 
Três anos depois posso dizer que boa parte dos males que me afligiam se aquietaram, aprendi a lidar com eles e toreá-los com a sedução das palavras. A palavra me deu as ferramentas para domar os inimigos, negociando com a dor uma trégua.
Divido com vocês a ideia levada a cabo pelo apaixonado livreiro português José Pinho que criou com outros " loucos amantes da poesia" uma vila literária na pequena cidade de Óbidos onde livros "são receitados como remédio para muitos males da alma." 
Toda a minha vida desejei a popularização desta medicina literária da qual me sirvo desde pequena. Aqui no Brasil seria um antídoto à ignorância, à intolerância religiosa e de gênero, à impaciência, à desesperança e muito mais...
Com amor e poesia!

A Cura pela Palavra 
A boa poesia acende clarões no cérebro
Há dois anos, surgiu na Inglaterra um curioso objeto literário, "The novel cure", que poderíamos traduzir como "A cura pelo romance". O livro, da autoria de Susan Elderkin e Ella Berthoud, tem como subtítulo "An A-Z of literary remedies", ou seja, "Um receituário literário de A a Z". A ideia é muito boa: receitar literatura para um vasto leque de males, da melancolia e depressão ao excesso de peso.
O livreiro português José Pinho, um dos proprietários da bonita e extravagante livraria lisboeta Ler Devagar inspirou-se no livro de Susan Elderkin e Ella Berthoud para criar um projeto ainda mais arrojado: uma farmácia literária. A farmácia deverá funcionar no átrio de um futuro centro de medicinas alternativas, a instalar num velho hospital de Lisboa, atualmente desativado. O paciente dirige-se ao farmacêutico literário (biblioterapeuta), dá conta das suas queixas, e recebe o remédio ou remédios, dois ou três livros, que poderá utilizar ali mesmo, comodamente instalado num dos quartos da instituição, ou levar para casa. Parece o devaneio feliz de um sonhador, e é, com a diferença de que José Pinho leva os sonhos a sério. Foi dele a ideia louca de transformar Óbidos, pequena e belíssima povoação histórica, cercada de muralhas, a 70 quilômetros de Lisboa, numa vila literária, com 11 livrarias, instaladas nos locais mais insólitos, desde uma antiga igreja a um mercado de frutas. Os principais compradores são os milhares de turistas brasileiros que visitam a vila e ficam encantados com as livrarias.
Há alguns anos publiquei um conto numa revista literária sobre uma senhora que receitava poesia como tratamento para todo o tipo de males. Serviu-me de modelo para a personagem uma vizinha belga que, quando eu era criança, lia versos, em voz alta, para as flores do seu jardim. Eu via-a, em certos fins de tarde incandescentes, passear ao longo do muro, com um livro aberto entre as mãos. Detinha-se aqui e ali, para recitar, debruçada sobre o fulgor das rosas, sonetos em francês e português. Ao vê-la, ao escutar o eco misterioso daqueles versos, eu intuía ali uma força antiga. Talvez as flores dela não crescessem mais frescas nem com mais vigor, mas eu acreditava que sim.
Circula pelas redes sociais um estudo da Universidade de Liverpool segundo o qual a poesia é muito mais estimulante para o cérebro, e mais útil na resolução de problemas, do que a chamada literatura de autoajuda. Mesmo ignorando a legitimidade do documento em causa, acredito nas suas conclusões. Livros de autoajuda costumam ser — os menos ruins — simples compilações enfadonhas de lugares-comuns. A boa poesia surpreende, acende clarões no cérebro, provoca e desafia.
A poesia, é sempre bom lembrar, começou por ser uma especialidade da magia. Magos declamavam os seus versos para convocar espíritos, acordar remotas forças, criar acontecimentos através do verbo. A palavra vento era o próprio vento. O som que enche a palavra sombra encheria de penumbra o coração dos inimigos — e por aí afora.
Quase todos os meninos são poetas. Manoel de Barros confessou, em várias entrevistas, ter roubado versos prontos aos próprios filhos. Nada que surpreenda um pai ou uma mãe. Quem quer que tenha filhos pequenos conhece a experiência de redescobrir o brilho da língua através da poesia involuntária que os baixinhos praticam todos os dias. Infelizmente, o que a generalidade dos sistemas de ensino faz é tirar a poesia de dentro das crianças. Crescer é, assim, perder poesia. Talvez por isso temos tendência a adoecer à medida que nos afastamos da infância — e da poesia. Acredito que a exposição prolongada à poesia é suscetível de provocar alterações irreversíveis no espírito de qualquer pessoa. Crianças que crescem ouvindo dizer poesia correm o risco de nunca se transformarem inteiramente em adultos, ou, pelo menos, em adultos conformados (e doentes). Eventualmente, continuam sendo poetas a vida inteira.
As versões em português (portuguesa e brasileira) do livro de Susan Elderkin e Ella Berthoud devem chegar nos próximos meses às livrarias e serão distintas uma da outra, pois incluem receitas próprias, adaptadas às diferentes realidades nacionais. A tentação de prolongar o jogo é enorme. Cada um de nós pode criar o seu próprio receituário. Por exemplo, para prevenir e tratar a intolerância religiosa, epidemia em crescimento no Brasil, eu recomendaria Jorge Amado. Para escritores que estejam sofrendo um surto de bloqueio criativo, ao invés de “I capture the castle”, de Dodie Smith, proposto pelas inglesas, aconselho “O livro do desassossego”, de Bernardo Soares. Sei, por experiência própria, que funciona muito bem.


EXPERIÊNCIAS PESSOAIS BLOG TATA TURISMO: MINHA VIDA COMO PROFESSORA DE CURSOS DO SENAC


Caros amigos , através do Blog TATA Turismo compartilhamos as nossas experiências pessoais e damos dicas de programas imperdíveis!

Não poderia deixar de dividir o que me dá muito orgulho de realizar: meu trabalho como professora desde 2013.

Recordo os deliciosos momentos com meus alunos que me trazem grande satisfação e mais do que tudo me ensinam a ter humildade, paciência, generosidade e a acreditar num futuro melhor.

Não há nenhum caminho mais revolucionário e transformador que a educação! Não há futuro para a nossa civilização e para nenhum país que não passe pela educação! 

Eu acredito no trabalho como professora como a minha grande oportunidade de transcender e de fazer a diferença neste mundo, me aperfeiçoando a cada dia como pessoa e profissional.

Divido com todos os nossos visitantes do planeta TATA TURISMO essa experiência de ensinar e ser atravessada pela curiosidade e luminosidade dos olhos dos meus alunos.

Acrescento os versos do saudoso Rubem Alves que traduzem o que sinto com esse enorme presente, a doce missão de compartilhar conhecimento e me  " eternizar através dos olhos de quem aprende a ver o mundo pela magia das minhas palavras!" 
É disso que somos feitos de sonhos e emoções ! O pão e o sustento dão conta do corpo, mas a  nossa alma eterna se alimenta dos fios preciosos do amor e dos sentimentos.

" Ensinar 
é um exercício
de imortalidade.
De alguma forma
continuamos a viver
naqueles cujos olhos
aprenderam a ver o mundo 
pela magia da nossa palavra.
O professor, assim, não morre
jamais..."    Rubem Alves
 

Acompanhe as dicas da TATA TURISMO para o seu lazer e diversão!

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sexta-feira, 19 de junho de 2015

CHORA O RIO



Hoje eu choro um Rio
Hoje o Rio chora

No Rio a paz é um mito
O apelo destoa na chuva da ignorância
Não me conformo e grito
A fé rasga as vestes da intolerância

Hoje a chuva chora um Rio
Hoje o choro não tem hora.

A chuva está tingida de sangue
O ódio se mistura ao ritual
Religião é a arma da gangue
Templos escondem o mal

Hoje eu choro um Rio
Hoje o Rio chora

Igrejas abrigam o louvor entorpecido
A hipocrisia e a violência não entram no céu
A chuva e o sangue inundam o Rio combalido
Deus não habita este Rio cruel

Hoje eu choro um Rio
Hoje o Rio chora
Hoje a chuva chora um Rio
Hoje o choro não tem hora.

Nathalia Leão Garcia 

Rio, 19 de junho de 2015. 


quarta-feira, 10 de junho de 2015

HOJE É DIA DE SER FELIZ!




Aos 11 anos estudando na Escola Municipal Roma fui apresentada à poesia de Cecília Meireles - A arte de ser feliz! Fui provocada pela professora de português Zulmira a definir o que era esse ser feliz.  Com os olhos de criança na época para mim ser feliz era estar viva e poder aprender.

Na vida adulta, durante muito tempo adotei a postura do Ernest Hemingway de me contentar em ser livre,  pois ser feliz é muito difícil.

Hoje eu acredito que é possível ser feliz através do caminho mais simples, com menos carga e cobrança, menos exigências e mais desapego. Cada minuto, um dia de cada vez. Penso em aproveitar o fim de cada dia e me perguntar,  o quê ou quem me fez feliz hoje? O que fiz para fazer outra pessoa feliz?

Ser feliz é uma questão de abrir a janela e aprender a olhar o entorno com mais doçura e acolhimento sem ideias pré-concebidas. É manter a capacidade de se admirar e encantar com o simples.  


Nathalia Leão Garcia 

Rio de Janeiro, 10 de junho de 2015



quarta-feira, 20 de maio de 2015

RÉQUIEM AO SEM SENTIDO



Hoje eu uso este espaço para expor a céu aberto a indignação.

O desabafo lúcido que dá voz a todos nós cidadãos sitiados pelo medo, pela falta de segurança, pela ausência da atuação do poder público que nos ampare e proteja em troca de impostos abusivos, escorchantes e extorsivos!

Esse é o clamor de um povo que vive num mundo doente, à margem da sociedade, à margem de uma cidade partida e esfaqueada a troco de nada!

Ostentamos as nossas roupas manchadas pelo sangue e pelas lágrimas de cidadãos de todos os cantos dessa cidade que só querem viver seus sonhos em paz e harmonia, criar seus filhos, trabalhar e estudar.

Gritamos a dor de cada família em luto por seus mortos e pela morte do sentido.

“ Bom dia, 
O rio amanhece com mais uma notícia de assalto seguido de morte.
Bom dia?
Pra quem especificamente?
Para meus amigos psiquiatras, que provavelmente, nunca tiveram os consultórios tão cheios de pacientes, com diagnóstico de transtorno de ansiedade e síndrome do pânico?
Bom dia?? 
Pra você que  tem filho em idade escolar, e fica preocupado se no trajeto casa-escola, ele será assaltado?
Bom dia?? 
Para vc que luta, trabalha, estuda, paga os seus impostos, sustenta sua família e pode ter os seus sonhos e vida roubada a qualquer momento?
Não, Bom dia! pra vc!!!
Que acorda, assalta, mata, rouba, estoura e vira manchete de todos os jornais mais importantes do Brasil.! 
Parabéns!
Enquanto isso... nós vítimas, vivemos um abismos de inversão de valores, a margem da sociedade, a margem de uma cidade, que um dia... já foi maravilhosa.”
 Maria Claudia Lima

Rio, 20 de maio de 2015.

Nathalia Leão Garcia 

                                                  O Grito - Edvard Munch

quarta-feira, 13 de maio de 2015

CINISMO COM GELO


Eu falo de indignação
A tentativa de me convencer no grito
É colonização
Mantras eu não repito
Não sigo ritos fundamentalistas
Vivo de acordo com o que acredito
Não negocio meus pontos de vista
Levanto as minhas bandeiras
Não me refugio no medo
Meu amor não tem fronteiras
Sou assim desde cedo
Não aceito mentiras a granel
Não me paraliso no tropeço
A hipocrisia não entra no céu
Me entrego nas palavras e não meço
Sofismas não me pegam jamais
Sou guerreira das causas que invento
Defendo as utopias reais
Como Quixote luto contra moinhos de vento
Desconfio de verdades oficiais
O normal não é a corrupção
Não compro ideias sem juízo e imorais  
Rebelião é a minha religião

Nathalia Leão Garcia 
Rio, 13 de maio de 2015

Lilith no Sec XX by Chris Mitchell


quinta-feira, 16 de abril de 2015

VIAGEM INSÓLITA


O que me faz abrir as asas,
atravessar as ruas desertas,                   
enfrentar a fome do mundo,
escancarar as janelas e suas travas?

Não possuo fronteiras fechadas.
Meu endereço é provisório.
Minhas estradas estão abertas.
Habito um largo território.

Venci o medo que me assaltava.
Desgarrei-me da solidão.
A insônia não povoa mais as noites.
Libertei-me da crença que me paralisava.

Desmesurei meus limites.
Ousei correr com as feras.
Atravessei as pontes e estamos quites.
Aloprei e ultrapassei as esferas.


Nathalia Leão Garcia


Rio, 16 de Abril de 2015


MEMÓRIAS DO SUBTERRÂNEO

Talvez não me reste nada além de manter a mentira da felicidade fácil, das juras de amor mais deslavadas. Desavergonhada farsante. É b...