segunda-feira, 26 de maio de 2014

CANÇÕES E CONTRADIÇÕES


Porque não me lanço e me arremesso?
Porque me tranco e me calo?
Onde me perco e tropeço?

Quanta felicidade eu suporto?
Será que me permito beber no gargalo?
Basta ultrapassar a zona de conforto?

Vencer a covardia que me amordaça.
A ousadia me tira do ralo.
Dispo a mortalha que a minha pele disfarça.


Nathalia Leão Garcia


Rio de Janeiro, 27 de maio de 2014


segunda-feira, 19 de maio de 2014

CONTRADIÇÕES E PAIXÕES




Me desdobro nas dobras e nos meios.
Vivo perigosamente suspensa
no varal dos meus devaneios
e ao que mais minha alma pertença
nada além das fronteiras da coisa amada.

Mas o que é  a paixão?
Esta vândala desalmada
que se apodera de mim por inteiro
e carrega  nas suas entranhas
o gérmen do desequilíbrio.

Alimentada pelo mistério e suas manhas
A paixão é que nos escolhe.
Acolhe e atola nesta areia movediça.
Afoga, mói, tritura e purifica.

A experiência sublime do desapego
O delírio da unidade que eterniza.
O inferno ardente do desassossego.
O cúmulo do altruísmo que modifica.

O que resta daquele cheiro, daquele calafrio?
No fim me reciclo e me desmancho.
Reinvento o meu ser permeado
e me descubro maior e mais profetiza.

Nathalia Leão Garcia
Rio, 19 de maio de 2014


domingo, 20 de abril de 2014

CONTO DE SAUDADE E GRATIDÃO


Eu morava com a minha avó materna que me criou desde

pequena e me ensinou o que é o amor e o que tenho de

melhor em mim. Cresci em Copacabana e sempre 

quando ia à praia com minha mãe e minha irmã mais nova

costumava levar um baldinho de água do mar para a minha 

avó se banhar na banheira lá de casa. Esse ritual era uma 

fonte imensa de alegria. Quando chegava da praia vovó 

esperava o baldinho com água do mar que eu derramava 

sobre ela na banheira como se a cobrisse com o meu amor e 

gratidão. A imaginava como uma Deusa e que aquela água a 

mantivesse imortalizada! Um dia após a sua morte aos meus 

9 anos,  esqueci e trouxe o baldinho com a água do mar pra 

casa buscando-a como de costume e me dei conta naquela 

hora da sua ausência física. Mas a trago no meu coração por 

toda a minha vida e a irrigo com a água sagrada das minhas 

lágrimas de amor e gratidão! Ela será eterna em mim pra 

sempre! 




Boa Páscoa e celebração da ressurreição da memória 



amorosa imortal! 

Nathalia Leão Garcia 





sábado, 19 de abril de 2014

DRIBLE ARRISCADO


A poesia é meu divã.


Dialética com as dores.


O risco é eterno.


Não há apólice de seguro

que nos proteja da solidão.





Nathalia Leão Garcia


Rio, 19 de abril de 2014 



                                        Kandinsky Movimento 1 1935

ENIGMA




Amor não rima com apego.

Não vira hábito.

Não se conjuga com medo

Não se ama por gratidão

Nem serve como moeda de troca.

Não é compensação por dívida.

Não se demora no sossego.

O amor descompõe a crença.

Desalojado não pede abrigo.

Escolhe instalar-se sem licença.

E subverte os códigos da vida.



Nathalia Leão Garcia

Rio, 19 de abril de 2014



quinta-feira, 10 de abril de 2014

SINFONIA DE OUTONO



Seus matizes provocam reflexões.
A brisa morna do outono bafeja a nuca.
Evocam sonhos adormecidos 
Desejos por dias mais felizes
Que espreitam na escuridão dos dias sem canção. 



Nathalia Leão Garcia



Rio, 10 de abril de 2014. 



sexta-feira, 21 de março de 2014

O INDIZÍVEL

Decantei em verso e prosa.
Que me ouçam em alto e bom som!
Desenhei com tintas frescas e vivas
Pra verem ao vivo minhas dores

Não tenho verdades fúteis,
tenho sentimentos e sonhos em cores
que transbordam deste coração profundo.
A vida real pode ser dura e rugosa
Prefiro manter memórias ativas

Posso escolher a cor do fundo
Pinto a leveza do pincel nas telas.
Sigo sinais de uma alternativa fantasiosa.
O egoísmo sempre me causa estranheza

É tão breve a nossa existência
Não vale a pena contar tristeza.
Talvez eu seja de outro mundo.
Venho de um planeta feito de gentileza.

O amor é a minha religião
Quero ocupar o meu tempo con-vivência.
Desejo tocar as pessoas com meus sorrisos.

Meus versos líquidos são oferecidos
escorrem das minhas mãos esticadas
Não pretendo fingir gestos contidos.

Verto meu néctar por necessidade.
Ressinto-me da crítica impiedosa
Acho que a vida merece mais leveza.

Sou um ser destinado à experiência amorosa
Meus olhos são irrigados por lágrimas de mel.
Não desejo a prisão de protocolos inúteis.
Não me sujeito às doutrinas da brutalidade

Sou desgarrada das regras de conveniência.
E das pessoas que perseguem os erros a granel.
Conjugo verbos no infinitivo plural.

Afasto inquisidores e suas tramas ilusórias
Mantenho distância da sua idiossincrasia cruel.
Não nutro sentimentos de culpa e dramas.
Não me alimento de dívidas só de dádivas.

O querer não requer retribuição compulsória.
O silêncio basta para indicar o sinal.
Cuidado em demasia não é bem vindo, paciência!

Não há mapas que indiquem rumos certos.
Um lugar provisório humildemente peço.
Visto de graça a minha alma imoral.
E com um suspiro pungente me despeço.


Nathalia Leão Garcia


Rio, 21 de março de 2014



MEMÓRIAS DO SUBTERRÂNEO

Talvez não me reste nada além de manter a mentira da felicidade fácil, das juras de amor mais deslavadas. Desavergonhada farsante. É b...